25 jan
Violão Blues II
Postado por Mauro Hector na categoria: Guitarra, Teoria Musical
Por Mauro Hector
Conforme combinamos, no texto anterior, agora vamos reconhecer algumas regras do estilo para podermos quebrá-las.
Vejamos:
Tradicionalmente, o blues tem 12 compassos seguidos da conhecida cadência I 7 IV7 V7, com duas estruturas de variação:
1. Slow Change (Troca Lenta): quando o primeiro grau tem duração de quatro compassos.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
// A7 / % / % / % / D7 / % / A7 / % / E7 / D7 / A7 / E7 //
2. Fast Change (Troca rápida): quando há troca já no primeiro compasso.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
// A7 / D7 / A7 / % / D7 / % / A7 / % / E7 / D7 / A7 / E7 //
3. Turnaround: os dois últimos compassos (11º e 12º) são conhecidos como “Turnaround” porque são a “volta” do blues. Entre os mais usados estão:
a) // A7 / E7 //
b) // A7 D7 / A7 E7 //
c) // A7 F#7 / B7 E7 //
d) // A7 F#7 / Bm7 E7 //
e) // A7 C7 / B7 Bb7 //
f) // C#m75b C7 / Bm7 Bb7 //
4. Blues Jazz Maior: muito utilizado por músicos como Joe Pass e Charlie Parker.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
// A7 / D7 / A7 / Em7 A7 / D7 / D#dim / A7 / F#7 / Bm7 / E7 / A7 F#7 / Bm7 E7 //
5. Blues Menor: segue os padrões do primeiro e segundo exemplos, entretanto, utilizando acordes m7.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
// Am7 / Dm7 / Am7 / % / Dm7 / % / Am7 / % / Em7 / Dm7 / Am7 / Em7 //
Seguindo, é comum também o IV e V graus serem maiores com sétima:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
// Am7 / % / % / % / D79 / % / Am7 / % / E7 / D7 / Am7 / E79# //
Abaixo segue uma cadência bastante famosa e imortalizada por B.B.King em “The thrill is gone”, de importante citação:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
// Am7 / % / % / % / Dm7 / % / Am7 / % / Fmaj7 / E7 / Am7 / % //
Repare na mudança do 9º compasso onde aparece Fmaj7. Em alguns blues é comum encontrarmos também o F7.
Podemos citar como exemplo de Jazz-Blues Menor o seguinte trecho:
1 2 3 4 5 6
// Am7 / F7 E7 / Am7 / Em 75b Eb7 / Dm7 / Bm 75b E79b //
7 8 9 10 11 12
// Am7 Ab713 / Gm7 Gb713 / F79 / E79# / Am7 / E79# //
Para você tocar com sotaque e linguagem blues, é necessário observar fundamentalmente os “voicings” dos acordes. Experimente por exemplo, montar acordes somente com a tônica, a terça e a sétima. Esta sonoridade é que se pode chamar de “centrar a harmonia”.
É muito comum o músico de blues substituir acordes, afinal blues é sinônimo de improvisação, um blues nunca é tocado igual por duas vezes.
Vejamos:
O A7 pode ser substituído pelo C#m75b, pois C# é a terça maior do A, assim como G é a sétima do A, B é a nona e E é a quinta. Portanto, o som se transforma em A79, muito usual nos trabalhos de SRV e T-Bonne Walker.
Observamos, também, que as tensões mais usadas no blues são 9 e 13. Por exemplo:
1 2 3 4 5 6 7 8
// A713 / D79 / A713 / E79 A713 / D79 / D# dim / A713 C79 / Bm79 Bb79 //
Até a próxima.
Bibliografia e discografias de referências:
CHIPKIN, Kenn. Real Blues Guitar.
Riding with the King: Eric Clapton & BB King: Music
Robben Ford – Supernatural
The Authorized Bootleg [LIVE] – Robben Ford
Stevie Ray Vaughan & Joe Satriani – Live – MTV Unplugged
The Complete Recordings [BOX SET] – Robert Johnson
Mauro Hector é guitarrista e violonista desde 1985. Compositor com dois CD lançados: “Sonoridades” e “Atitude Blues”. Dá aulas em Santos. Contato para shows, workshops e aulas pelo site www.maurohector.com.br. E-mail: maurohector@maurohector.com.br














