25 jan
Desmistificando a blindagem
Postado por Vitor Gomes na categoria: Luthieria
Tags: baixo, blindagem, guitarra, sistema elétrico
Opa, caros leitores!
Muitos clientes antes de pedirem para fazer uma blindagem em seu instrumento logo perguntam se o recurso deixará seu instrumento com menos som. A resposta é “não”. Ao blindar um instrumento, aterra-se todo o seu sistema elétrico, fazendo com o os ruídos e interferências geradas pelo campo eletromagnético sejam eliminadas.
Tive poucos casos de clientes que vieram à minha oficina reclamaram da blindagem feita por um outro luthier, dizendo que ao invés de cortar os ruídos, o recurso acentuava-os. Isso acontece porque, se a blindagem não for bem feita, ela poderá virar uma antena, fazendo com que seu instrumento sintonize até estações de rádio. Uma boa blindagem (que funcione de fato) requer atenção, capricho e materiais de ótima qualidade: folha de cobre ou latão.
Já vi algumas blindagens feitas com papel rochedo e papel alumínio. O problema é que estes materiais são muito frágeis, rasgam com facilidade, além de não aderirem bem o estanho da solda. Outro ponto importante para se obter uma boa blindagem é a substituição da fiação original por outra com malha, que deverá se aterrada.
Vale esclarecer que nem sempre a blindagem elimina todas as interferências do instrumento. Isso porque, conforme explica o luthier Edmar Luighi (no livro Guia Ilustrado do Baixo, editora Hmp) “todos os tipos de bobina (de captação, claro) são suscetíveis a interferências de radiação eletromagnéticas”. E é justamente por isso que os single coil “captam zumbido ou interferência de amplificadores ou outros equipamentos elétricos próximos a ele”. Existe ainda a possibilidade de se blindar o captador. Em casos de humbucker, quando feita uma blindagem completa (que inclui o sistema elétrico, as fiações e captadores) os chiados podem ser reduzidos a zero, porém isso nem sempre acontece quando a captação é single coil.
Espero que este texto tenha sido esclarecedor.
Abraço e até mais
Vitor Gomes é jornalista e luthier pela Universidade Estadual de Música Tom Jobim.














